Segundo a Agência Internacional AhlulBayt (A.S.) – ABNA Brasi: Hujjat al-Islam wa al-Muslimin Mohammad Hossein Amin, escritor e pesquisador religioso, em artigo exclusivo para a ABNA, analisa a personalidade ética, mística e política de Sua Eminência o Aiatolá al-Uzma Sayyid Ali Khamenei.
A manifestação da servidão: dimensão mística e espiritual
A mística (ʿirfān) na escola de AhlulBayt (A.S.) não significa isolamento ou reclusão, mas presença ativa na sociedade com o coração pleno da lembrança de Deus. O Líder da Revolução é exemplo de uma formação na qual a “oração da madrugada” e a “prudência do dia” se complementam.
Este sábio piedoso, seguindo a tradição do Amir al-Mu’minin Ali (A.S.), considera a servidão a Deus como a raiz essencial de todo poder, enfatizando constantemente a intimidade com o Alcorão e a súplica humilde diante do Senhor.
Essa disposição espiritual, diante das crises mais severas, concede ao coração crente deste guia prudente uma serenidade singular, fruto do verdadeiro tawakkul (confiança absoluta em Deus). O Imam Ruhollah Khomeini, ao descrever este discípulo da escola da Revelação, afirmou conhecê-lo como um irmão familiarizado com as questões islâmicas e dedicado ao serviço [1].
A profunda conexão com as realidades sagradas forjou neste jurista combatente uma personalidade que, ao mesmo tempo em que manifesta autoridade, preserva a delicadeza espiritual de um místico devotado.
No olhar vigilante deste sentinela atento, mística significa perceber a mão do poder divino em todos os acontecimentos do mundo. Ele tem reiterado em seus discursos que, quando o caminho é trilhado por Deus, não existe beco sem saída. A cosmovisão estritamente monoteísta que estrutura seu pensamento faz com que, diante das superpotências aparentes do mundo, não haja espaço para temor, pois, na lógica mística do xiismo, não há força eficaz na existência além de Deus, o Altíssimo.
A conduta do educador: os cumes da ética e da humildade
A personalidade ética deste líder devoto combina firmeza diante do inimigo e humildade ilimitada diante do povo e dos necessitados. A ascese e a simplicidade de vida deste descendente de Fátima al-Zahra (A.S.) não constituem encenação midiática, mas realidade concreta.
Diversas personalidades que frequentaram sua residência relatam a surpreendente simplicidade de sua vida cotidiana e de sua mesa desprovida de ostentação, evocando a conduta dos Imames da orientação (A.S.).
A cortesia na fala e o respeito inclusive aos opositores figuram entre as características marcantes de sua ética. Ao longo das últimas décadas, jamais se observou que este sábio ancião, mesmo ao criticar adversários, ultrapassasse os limites da justiça e da dignidade.
Sua conduta encarna de forma clara o versículo:
«Muhammad é o Mensageiro de Deus; e aqueles que estão com ele são firmes contra os descrentes e misericordiosos entre si» [2].
Assim como se mantém inabalável como uma montanha diante da arrogância global, mostra-se profundamente compassivo diante dos órfãos e das famílias dos mártires.
A ética do governo, em sua visão, fundamenta-se no serviço sincero. Para ele, cargos no sistema islâmico não são presa para ambição material, mas confiança divina destinada a solucionar as dificuldades do povo. Suas reiteradas recomendações aos responsáveis do Estado para que cuidem de suas almas e evitem o luxo excessivo nascem dessa preocupação, a fim de que o vínculo entre liderança e comunidade permaneça sólido [3].
O sábio do campo: prudência e discernimento político
Na visão de Sua Eminência o Aiatolá Khamenei, a política está subordinada à orientação divina e ao discernimento penetrante. Este timoneiro prudente, com compreensão precisa da geometria do poder mundial, tem conduzido o navio da Revolução através de tempestades intensas com segurança.
A gestão sábia da Revolução baseia-se numa racionalidade revolucionária que não se deixa levar por extremismos impetuosos, nem cai na armadilha da negligência ou do compromisso complacente.
O conceito de basīrah (discernimento lúcido) está intimamente associado ao seu nome, pois ele considera que a perseverança no caminho da verdade depende do reconhecimento oportuno das intrigas e desvios. O célebre dito:
«Que Deus tenha misericórdia de quem sabe de onde veio, onde está e para onde vai» [4]
manifesta-se plenamente em sua prática política. A fundamentação das decisões em cuidadosa análise das estratégias do inimigo tem possibilitado antecipar e neutralizar movimentos hostis.
Como mujtahid plenamente qualificado, ele define a política no eixo da justiça e do monoteísmo. Em sua perspectiva, preservar o sistema islâmico é uma das maiores obrigações, mas não a qualquer preço; deve-se fazê-lo mantendo princípios e valores autênticos.
Sua postura de resistência à arrogância global não deriva de obstinação política, mas de fundamento profundamente corânico que proíbe inclinar-se ou confiar nos opressores [5].
Porta-estandarte da unidade: visão civilizacional e transnacional
Uma das dimensões mais luminosas da personalidade deste líder é sua visão ampla e civilizacional do mundo islâmico. Ele jamais se limitou a fronteiras geográficas, enfatizando constantemente a noção de “Ummah Islâmica única”.
Seus esforços para promover a aproximação entre as escolas islâmicas e apoiar os oprimidos do mundo — da Palestina aos mais distantes pontos do globo — revelam grandeza espiritual e ideal elevado.
Em sua visão estratégica, o mundo islâmico, para recuperar sua antiga dignidade, necessita retornar à própria identidade e apoiar-se em suas capacidades internas. Essa perspectiva civilizacional o levou a insistir fortemente na produção científica e no movimento de desenvolvimento intelectual.
A máxima «al-‘ilm sultān» — o conhecimento é poder — [6] ecoa constantemente em seus discursos, pois considera a ciência a fonte de autoridade e soberania da comunidade islâmica no cenário global.
Por fim, a firmeza e perseverança deste jurista combatente no caminho da verdade inspiram milhões de pessoas livres. Apoiado no poder infinito de Deus e na companhia de um povo fiel a seus ideais, o Aiatolá Khamenei trabalha pela construção de uma nova civilização islâmica — um homem cuja compreensão do tempo histórico se tornou barreira sólida contra dúvidas e tempestades ideológicas.
Fontes e notas
[1]. Sahifeh-ye Imam, vol. 14, p. 468 (mensagem do Imam Khomeini por ocasião do atentado contra o Aiatolá Khamenei, Tir de 1360).
[2]. Alcorão Sagrado, Surata Al-Fath (48), versículo 29.
[3]. Discursos do Líder da Revolução, encontro com autoridades do Estado, 31 de Shahrivar de 1370.
[4]. Sheikh al-Saduq, Man La Yahduruhu al-Faqih, vol. 4, p. 396.
[5]. Alcorão Sagrado, Surata Hud (11), versículo 113.
[6]. Ibn Abi al-Hadid, Sharh Nahj al-Balagha, vol. 20, p. 319.
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